Da coleção de viagens – Parte 3 – Normandia, Bretanha, Vale do Loire e Paris. Verão 2018.

Praias do Dia D, Mont Saint Michel e Saint Malo

A caminho do Mont Saint Michel fizemos paradas em duas praias do dia D. A segunda guerra é um assunto que me fascina. Então achei bastante interessante o Museu do Desembarque em Arromanches (primeira parada) que conta a história deste dia fatídico da invasão da França pelos aliados e que colocou fim a uma guerra que já durava 5 anos. A invasão foi planejada durante meses. O que mais me impressionou foi a construção relâmpago de um porto, essencial para a entrada da artilharia de guerra de terra e de todas as provisões. Assim as tropas puderam continuar seguindo para o interior e finalmente reconquistar a França. Muitos engenheiros e construtores foram convocados para isso e tiveram papel fundamental nesta operação. Fiquei imaginando a força e determinação destes homens e toda a inteligência que foi necessária para uma ação como esta, envolvendo vários países.

Seguimos para Omaha Beach onde fica localizado o cemitério americano. Dez mil soldados foram sepultados neste local, que é bonito, da forma como pode ser. Transmite calma e paz. Muitos americanos passeiam por lá e tem uma cerimônia bem patriótica, como só os americanos sabem fazer, com direito a hino e tudo. Não me incomodou, mas tem muita gente que tem antipatia.

O que mais me marcou ali foram as cruzes dos corpos de soldados não identificados: …”um companheiro de armas conhecido somente por Deus”.

Já estava bom. Não tivemos vontade de ver as outras praias e não passamos por Bayeux, que me pareceu de longe ser bem bacaninha. Estávamos muito ansiosos para chegar logo ao mágico e impressionante “Le Mont Saint Michel”.

Le Monte Saint Michel

Dezenas de fotos foram tiradas desde o primeiro momento que vimos “o Mont” até chegar de verdade bem perto. Aquela coisa que fazemos meio surtados pelo encantamento e depois jogamos fora todas as fotos iniciais. Mas é irresistível, porque é realmente muito impactante. O hotel que reservamos (Auberge de la Baie) era bem simples, mas limpo e confortável. Não trocaria ele por nada, pois para alcançar a vila caminhamos através de um campo com muitos carneirinhos, bem diferente do caminho formal, construído pelos homens, que no dia seguinte percorremos.

Selecionamos o dia de estar ali pela tábua de marés, disponível na internet. Queríamos ver o lugar virar um ilha e conseguimos. Tanto aqui quanto em toda Bretanha a influência das marés é enorme, modificando totalmente os cenários de acordo com a hora do dia. Por isso, é bacana ficar um dia inteiro no Mont Saint Michel e também em Cancale, Dinard e, claro, Saint Malo. 

O Monte Saint Michel é um dos lugares para se ir antes de morrer. Um monge fundou uma abadia neste local no século XVIII, que até 2010 não tinha ponte, ou seja, ficava totalmente isolado na maré cheia. É uma vila bem pequena, uma única rua praticamente, que conta com o restaurante de omeletes mais famoso do mundo, o La Mere Poulard. É possível acompanhar o bater dos ovos pela vitrine, que vira quase uma música para dançar.

A abadia me emocionou. Visitamos ao entardecer, com efeito de luzes e sons. Ao final de nossa visita a água já tinha invadido todo o redor, restando apenas a ponte construída pelo homem. A energia dali é inexplicável. Talvez seja por este invadir das águas, quase como uma gigante representação do inconsciente. Mas também pelas paredes de pedras, os jardins internos simples e gramados onde os monges meditavam, os símbolos espalhados, a visão da imensidão do mar, e, claro, pelo arcanjo Miguel (particularmente eu adoro anjos).

No dia seguinte, ao invés de seguirmos para Saint Malo direto, como planejávamos, decidimos voltar mais um vez (pelo caminho mais usual, que deve ser gostoso percorrer de bike) e nos encontrar de novo com aquela vibração. 

Saint Malo

Linda, linda, linda. Nos hospedamos por quatro noites, um pouco distante da cidade murada, em uma pousada maravilhosa (Hôtel La Villefromoy), perto da principal praia. Ir caminhando para cidade e voltar já era um excelente programa.

Quando chegamos, no meio do primeiro dia, o tempo estava feio e ventava muito. Mas um espetáculo acontecia, com praticantes de kitesurf por toda a orla. A maré muito baixa também mostrava pedras e montes onde podíamos caminhar e chegar até o forte. O sol depois apareceu e mostrou que aquela água era verde clarinha. Alguns moradores se arriscavam na piscina artificial, preenchida com a água do mar. Que graça de lugar.

A cidade histórica tem lindas lojinhas e ótimos restaurantes e só comemos por lá, seguindo as sugestões da nossa pousada (as sugestões de restaurantes dos locais onde nos hospedamos sempre são as melhores das nossas viagens e já aprendemos isso).

Quando voltamos após o jantar levamos um susto com a maré, que já tinha avançado até o calçadão. Não restava nenhuma linha de areia.

Saint Malo tem várias cidadezinhas em volta. Conhecemos Dinan, Cancanle e Dinard.

Dinan é uma cidade de ateliês e o mais interessante é entrar em cada um deles, explorando os detalhes. Trabalham muito com uma pedra porosa, tipo pedra sabão, que usam para reter cheiros de essências deliciosas, em diversos formatos. Boas lembranças para levar. Tem ruas fofas e um rio banha a cidade. Passeamos por lá por uma manhã, tomamos um rosê na beira do rio e voltamos para explorar melhor Saint Malo e “almojantar” por lá.

Cancale é sensacional. Eu amo ostra e é a terra das ostras. Logo pela manhã barraquinhas de locais vendem um prato gigante de ostras por 6 euros. Você senta na calçada de frente para o mar e saboreia aquilo tudo. Se você quiser ver uma “fazenda” de criação de ostras, fique de olho nos horários com guias que falam inglês (se você não souber bem francês, como nós), porque só tem pela manhã e perdemos. Mas no final do dia, com a maré já baixa, pudemos ver todos os criadouros expostos na praia principal.

Criadouros de ostras visíveis ao final do dia na praia principal de Cancale

Mas Cancale não é só ostras. A cidade é muito arrumadinha. Tem uma igreja lindinha e na sua frente uma fonte super original que simboliza a principal atividade local. Tem também lindas trilhas que desembocam em praias pequenas, andamos tudo por lá. Pena que estávamos sem roupas de banho, mas tiramos os tênis ficamos caminhando com água até a coxa. Uma delícia. Jantamos frutos do mar por lá, que, é claro, não superaram os de Trouville (creio que nunca nenhum vai superar), mas não estavam ruins.

Para Dinard fomos de barco (compra a passagem na hora. Tem uma grade de horários que a pousada nos disponibilizou). Ver Saint Malo se distanciando a bordo parece um filme.

É um local de praia, mansões e lindos jardins. Fizemos praia lá, alugamos um Stand Up e achei super emocionante remar com Saint Malo no horizonte. Com a maré baixa a areia da praia fica muito longa, o mar fica longe, longe. Muito diferente de nossas praias por aqui.

Voltamos para jantar em Saint Malo, pois tínhamos um compromisso com um crepe “nutella” (não o sabor, mas no estilo, pois só tínhamos experimentado a versão “raiz”, em barraquinhas de rua). Crepe é uma comida típica da Bretanha, aqui o salgado se chama galette, é feito de trigo sarraceno (uma farinha escura) e é bem fininho. Já o doce pode ser também feito de farinha branca, como o que conhecemos. Escolhemos um restaurante aconchegante, especializado na iguaria, que só tinha lugar no bar. Mas nos fartamos mais uma vez, comida deliciosa e um bom vinho. E foi legal ficar ali vendo os preparativos. Excelente despedida.

Na manhã seguinte acordei cedo, deixei o maridão dormindo e fui andar na beira da praia. Muitos idosos caminhavam dentro da água, ótimo exercício. Para isso usavam aquelas roupas de neoprene de surfista, que protegia do frio. Bom lugar para se envelhecer. Depois de um banho gostoso e ótimo café da manhã seguimos para o Vale do Loire.

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s