Da coleção de viagens: Lima, Cusco e Vale Sagrado com Machu Pichu.

Queríamos uma viagem para o carnaval. Nossos meninos, já crescidos, só querem saber dos blocos do Rio e são cinco dias totalmente dedicados. Acordam cedinho e voltam acabados no final do dia, deixando só o rastro de purpurina das namoradas no chão. Junta-se a isso as férias da minha fiel ajudante, que nesta época vai pra Iguaba com seus filhos e família aproveitar o verão. Conclusão: se eu não estiver a fim de curtir silêncio (muitas vezes até estou) e lavar louça, é melhor ir passear.

Estava com muita preguiça de programar uma viagem e acabei seguindo a minha estratégia, até agora infalível, para estes momentos “letárgicos”: usar agências especializadas em roteiros específicos. Já fui para Australia e Nova Zelândia com a Kangaroo Tours, para a Patagônia com a Patagônia Experience e agora encontrei a Machu Pichu Brasil, que me deu um orçamento terrestre bacana, com hotéis 5 estrelas e as mordomias de resolver os passeios, translados, etc no período do carnaval. Valeu muito.

Preparem-se para um choque de realidade.

Quem vai visitar Cusco e é viajante “patricinha” como eu, que adora arquitetura, casinhas de pedra e jardinzinhos, limpeza e civilização, deve se preparar para um choque de realidade. Mas depois, muito sinceramente, a realidade deixou de me decepcionar para me dar a sensação legal, de melhor entendimento daquela cultura e daquelas pessoas.

Contrastes…
Lindo artesanato local.

Carnaval em Cusco, pelo menos nos dias de hoje, é igual a guerra de spray de espuma. Louco, não? Tivemos que fugir bastante pra não tomar um banho e rimos muito também. Se quiser ir pra lá nesta época se prepare para esta maluquice.

Carnaval em Cusco. Guerra de espuma!

Estávamos um pouco inseguros com o clima. Cusco só tem duas estações. Com ou sem chuvas (que vai de abril até outubro). Fomos em um carnaval em março, final da temporada de chuvas. Mas deu tudo certo, zero de chuvas que atrapalhassem. No dia que fomos para Machu Picchu estava um “nubladinho do bem” e foi bom não passarmos muito calor. Além disso estava tudo florido em Cusco e verdinho no Vale Sagrado.

Cusco no final do verão
Vale Sagrado verdinho.

Cusco e o Vale Sagrado são pobres. Os prédios tem emboço e pintura somente na parte da frente. Mesmo os bem altos. E, acredite, isso tem relação com a cultura Inca. Já reparou que este povo só se enfeitava na frente? A lateral e as costas do corpo não importavam. Depois que aprendi isso passei até a achar interessante esta feiúra de dar dó.

Águas Calientes, cidade base de Machu Pichu, feio pra burro.

Sobre a altura.

Cusco é mais alto que Machu Pichu, portanto, se tiver que se sentir mal por conta da altura, é aqui mesmo que vai sentir. Não tem nenhuma relação com bom condicionamento físico. Meu marido, que é muito mais bem preparado que eu, se sentiu muito pior. Mas logo que você sai do avião já vai dar de cara com uma bacia com folhinhas de Coca, pra contornar a coisa. São gostosinhas e me ajudaram bastante. Todo lugar você acha folhinhas pra mascar ou o chá, inclusive nos hotéis. Mas quando conversamos com os “locais” sobre como lidar com o problema, a resposta foi: além de mascar as folhinhas de Coca, tome muita açúcar e cafeína, melhor dizendo: tome muita Coca-Cola (a normal mesmo, muito açúcar). Não usamos esta estratégia, talvez porque não ficamos muito mal, mas fica a dica.

Cusco

A parte histórica de Cusco é muito bonita, especialmente a Praça das Armas. De noite as luzes das casas no alto dos morros enfeitam lindamente o lugar.

De noite. As luzes das comunidades.

A catedral tem uma arte que mistura o cristianismo com a cultura do lugar. Sincretismo é a palavra de ordem, uma palavra que eu até já tinha esquecido que existia e que se aplica aqui maravilhosamente bem.

São desenhos ou imagens de anjos e santos com cabeça ou membros desproporcionais, cristos com o rosto muito mais ensanguentado do que o usual, alimentos típicos dos Andes em cenários católicos (tem uma famosa Santa Ceia com milho e Cuy assado, o Porquinho da Índia que é prato típico local) e muitas imagens de Jesus com o peito nú, mas vestido com lindas saias bordadas. Gostei bastante. Pena de nada pode ser fotografado.

Praça das Armas. Catedral de Cusco. Carnaval 2019.

Outro lugar de visitação é o Convento de São Domingos. Construído literalmente em cima do principal templo Inca, justamente para demonstrar a força da colonização, ele foi parcialmente destruído em um terremoto. Mas ficaram de pé as paredes originais antes soterradas, que tinham uma engenharia a prova de abalos sísmicos. Isso virou a principal atração e todos se encostam nas paredes do Templo do Sol para perceber como se inclina.

Construções Inca resistentes aos abalos. Os espanhóis não contavam com isso.

A cerveja Cusqueña é bem boazinha. Os restaurantes, mesmo os recomendados, não são maravilhosos. Da cozinha local amamos o milho branco, de grão enorme e amanteigado, as mil batatas de diferentes tons do amarelo ao laranja, e também a flor de cacto. Mas não gostamos do Cuy, o Porquinho da Índia assado, é uma carne ressecada e com muitos ossinhos entremeados para driblar. O ceviche, em todos os locais que fomos, foi sempre uma boa pedida.

Prato tipicamente Cusqueño.
Flor de Cactus

A cidade de Cusco em si até dá para explorar sozinho, mas para visitar os arredores de Cusco é preciso contratar um guia. Vimos várias agências por lá, pra quem não fechou previamente os passeios. Aliás, esta é uma das poucas coisas chatas desta viagem. Em Cusco você é abordado por ambulantes e guias de viagem de minuto em minuto. Falei uns duzentos “no, gracias” por dia. Cansativo.

Em Cusco fizemos também um passeio por ruínas Incas lá por perto, que foi legal.

Vale Sagrado

No Vale Sagrado fomos a Pisac e Ollantaytambo, dormindo no Sonesta Posada del Inca Yacay. Uma graça de lugar de hotel!

Sonesta

A cultura Inca era fantástica. Uma sociedade para ainda ser exemplo. As explicações dos guias são essenciais para realmente “viajar” nestas ruínas.

“Tuctuc” é o meio de transporte mais usual no Vale Sagrado.
Outra cidade Inca. Plantações com Ecossistemas diferentes em cada degrau.

O artesanato de Pisac deveria ser um dos pontos altos da visita ao Vale Sagrado. Mas achei os mercados de Cusco melhores. Cada coisa linda e baratinha! Mas não no mercadão de São Pedro, onde basicamente se vê comidas curiosas e hábitos para estômagos de avestruz.

Artesanato em Ollantaytambo
Pisac. As imagens dos dois bois no centro desta foto enfeitam o telhado de diversas casas da região e são uma proteção para os casais: que não se separem!
Mercado São Pedro em Cusco. Totalmente “raiz”.

De trem fomos para Águas Calientes, que é a base para Machu Picchu.

Trem para Águas Calientes

Ônibus saem de Águas lá para o parque de Machu Picchu propriamente dito. É possível ir caminhando em trilhas, o percurso leva cerca de 2 horas. De ônibus são 20 minutos.

A cidade Inca, preservadíssima, é uma aparição no meio daquela linda mata. Você pode carimbar seu passaporte na entrada. Leva-se o dia inteiro para percorrer toda a ruína, parando pra tirar muitas fotos e ouvindo o guia destrinchar o significado de cada construção. Não tem nadinha para beber ou comer por ali. Levamos um saquinho de batata fritas comprados a um preço absurdo na entrada do parque e garrafas de água.

Machu Picchu. Sensacional.

Na volta jantamos em Águas Calientes, pegamos o trem de volta e depois um carro até Cusco. Teria dormido mais esta noite na região. O retorno foi bem cansativo.

Nosso último dia em Cusco foi pra ver o museu Inca, fazer comprinhas e tirar mais fotos. O museu tem coisas legais mas é tosco do ponto de vista de estrutura.

Museu Inca. Muito tosco, mas tem coisas legais.

Se for comprar qualquer coisa pechinche muito, até o valor te parecer ok. Algumas coisas comprei pela metade do preço inicial.

Bem comprei um lindo poncho de Alpaca.
Nas ruas de Cusco se tira muitas fotos com estas fofuras, mas sempre cobram uma “propina”.

Lima

De Cusco fomos pra Lima. Adoramos a capital. Muito desenvolvida e limpa, pelo menos nos bairros que visitamos. Ficamos em Miraflores.

Lindos Jardins em uma cidade que não chove desde 1975

Achamos que íamos ficar meio estressados com a história de negociar preço de táxi (que não tem taxímetro) e inicialmente pegamos Uber. Mas no final o táxi se mostrou muito mais disponível e as negociações foram tranquilas.

Comida é um capítulo à parte em Lima. Comemos muito bem. Mas o restaurante mais famoso, Astrid e Gaston, não foi nosso predileto. Foram 13 pratos bons, mas nenhum maravilhoso. O ambiente não é aconchegante e o sommelier literalmente não nos deixou escolher o vinho. Sequer pudemos ter a carta nas nossas próprias mãos. Dica a parte: em matéria de restaurante com menu degustação enorme (18 passos) e maravilhoso, fico com o Brindillas em Mendoza. Espetáculo!

Astrid e Gaston

Em compensação, os outros restaurantes menos pretensiosos foram nota dez. Destaque para o Huaca Pucllana e Punto Azul. Experimente a Causa, uma mistura de purezinho de batata baroa com recheios variados. Muito bom!

A orla toda é bacana, com a praia lá embaixo e parapentes sempre flutuando. As ondas do mar são muito longas, o que faz do Peru um point de surf.

Falésias
Orla Miraflores
Parque do Amor, inspirado no parque Guell de Barcelona.

O centro de Lima é super conservado. Muito mais bonito que Santiago e tem uma energia melhor que o centro de Buenos Aires.

Centro histórico de Lima

Outros bairros muito bacanas são San Isidro e o charmoso Barranco.

Parque em San Isidro
Oliveiras
Barranco

Um programa popular que não deve faltar é a visita ao Parque das Águas. Com preço quase simbólico, estava bem cheio quando fomos. Tem dois horários de espetáculos e é bem legal.

Lima é um destino que pode ser curtido em um feriado. Vamos voltar. Ficamos com gosto de quero mais.

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