Da coleção de viagens – Espanha e Londres 2019

Pela primeira vez vou tentar escrever enquanto viajo. Vamos lá ver como sai. Montamos este roteiro em minha fase apaixonada pela Espanha, com saudades de Barcelona (última vez há 8 anos) e tendo que encaixar um show do Metallica em Londres.

Então ficou assim: levar o digníssimo marido pra conhecer Madrid (só eu conhecia), passar por Valência que parecia bem legal, aterrisar em Ibiza para relaxar, seguir pra Barcelona (acelera de novo) e terminar com resgate de Londres (desta vez sem meus “aborrecentes” e sem frio… minha primeira experiência com Londres foi traumatizante, mas imagino que o inverno rigoroso e a “ranzinzice alheia” devem ter contribuído).

Madrid é linda demais. Melhor andar olhando para cima, a arquitetura é belíssima. Mas para mim o Museu do Prado é sua maior expressão. Amo Goya e suas pinturas negras, Velasquez, Bosch, Rubem e El Greco. Nunca colocaria estas gravuras na minha casa, porque de verdade são tristes, mas adoro o impacto que me causam.

Prado do lado de fora
Quadro de Bosch fotografado quando ainda não tinha entendido que não podia (levei a maior bronca…)

No entanto meu marido odiou o Prado, vai entender… Não desisti e fui apresentá-lo à Guernica, no Reina Sofia (grátis às segundas das 18h às 20h), e nada, sem emoção. Paciência, vamos lá passear pelo Parque do Retiro, lindo no final de tarde.

Parque do Retiro

Vale super a pena fazer um “free walking tour” no centro histórico de Madrid. Você paga no final o que acha que vale, não se perde e fica entendendo tudo direitinho, inclusive muitas obras do Prado. Tente fazer com um madrilenho. Desta vez fizemos com um irlandês super simpático, mas falta a energia de um “local”.

Mercado San Miguel

O Mercado San Miguel é parada obrigatória no centro de Madrid. Muito cheio e barulhento, mas reúne todas as típicas iguarias e tem bebidas para todos os gostos.

Ficamos no hotel 7 Islas, super charmoso e bem localizado. Recomendo. Andamos basicamente a pé. Usamos patinete elétrico um par de horas, o que rendeu um tombo do marido e uma ida ao hospital para assegurar que não havia fratura. Amém.

Tiramos um dia para ir até Toledo. Saímos da estação Atocha, linda por sinal, compramos as passagens no site da Omio. A cidade é medieval, com uma catedral muito bonita e poucas outras coisas que valem a pena ver. Então não coloque seu trem de volta para muito tarde. Também comemos mal por lá. Pesquisem um restaurante legal antes de ir.

Toledo

Valência

No dia 3 de viagem seguimos para Valência, também de trem. Que cidade!! Três noites pelo menos, por favor. Tanto a parte antiga quanto a nova são surpreendentes. Não deixem de visitar o museu dentro da catedral. Muito bem organizado e conservado, obras lindas e diferentes. A praça da Virgem também é linda. Aquele tipo de lugar para tomar uma cervejinha ao ar livre, ouvindo um artista de rua qualquer, e ganhar o dia.

Praça da Virgem

Dá pra ir do centro histórico para a Cidade das Artes e Ciência de bicicleta (seria minha primeira opção se o digníssimo não tivesse com o ombro machucado, por conta do tombo de patinete), mas também é possível ir passeando a pé pelo meio do Parque del Turia (fomos de táxi e voltamos a pé).

Complexo Cidade das Artes e Ciências

A arquitetura do complexo que inclui casa de show, oceanário e museus é magnífica.

O oceanário é bem grande, com esquemas do tipo Sea World. Adoramos “negativar os neurônios” vendo show de golfinhos e a alimentação das focas. Férias também é pra isso 🙂

Tem paellas para todos os gostos e em quase todos os restaurantes de Valência, comemos bem, mas não tenho nenhuma preciosidade gastronômica para indicar.

O Mercado Central é bem bacana. Lá se vende de tudo, inclusive o arroz da paella e as panelas próprias (comprei a maior que cabia na mala por onze euros e fiquei toda crente).

Dos museus destaco, além do da catedral, o Museo de la Almoina, onde vimos as ruínas romanas embaixo da cidade. Achei bem interessante. A fábrica de seda achei meio sem gracinha. Não fomos nos museus de arte mais contemporânea, mas as fotos parecem legais.

De Valência partimos para Ibiza de ferry, com saída só tarde da noite, o que nos fez ganhar mais um dia na cidade. O ferry para Ibiza é muito direitinho. Compramos com cabine e banheiro exclusivo, tudo muito arrumado e limpo, um verdadeiro hotel.

Cabine do ferry de Valência para Ibiza

Dormimos bem e alcançamos Ibiza lá pelas 6 horas da matina. Dois detalhes aqui: a comida do ferry é ruim, portanto leve algo com você, inclusive um vinho; também é melhor contratar um transfer para o hotel e só depois alugar um carro. Chegamos muito antes da loja de locação de carros abrir e ficamos cerca de 2 horas no porto, totalmente sem assunto.

Ibiza

Águas cristalinas em Ibiza

Carro em Ibiza é essencial. A ilha é enorme! Para entender melhor, para ir do nosso hotel até a feira hippie mais famosa levamos cerca de 1 hora. Famosa por suas festas, Ibiza tem praias lindas e bons restaurantes, além da pegada hippie que eu curto (meu marido sempre diz que me salvou, pois sem ele eu estaria tocando violão pelas estrada com só flores e minhocas na cabeça).

Feira Hippie

Mas é tipo Cancún. Muitos prédios, bem urbana, o que me decepcionou. Na minha fantasia a ilha era composta de pequenas “Búzios” espanholas e cheia de pessoas elegantes desfilando. Não é nada disso.

Gostei mesmo da pequena ilha ao lado de Ibiza, Formentera. É muito fofa e menorzinha, com ares de interior. Se fosse de novo alugaria um casa por lá e passearia um ou dois dias em Ibiza. Para ir para Formentera pegamos um ferry da empresa Balnearias, com o carro alugado junto. Saiu caro mas valeu a pena. Se você dirige moto, tenho impressão que a opção mais em conta, e também adequada, seria alugar uma scooter por lá. De bicicleta só dá para chegar com tranquilidade em uma praia, a Ses Illetes, saindo do porto. O restante seria muito cansativo.

Adorei El Pujols. No conjunto eu achei a mais bacana. Tem um monte de cafés e restaurantes charmosos, e a água é tão linda quanto de toda ilha.

El Pujols. Praia.

Fizemos praia ali e na própria Ses Illetes, a mais famosa. Nesta última pagamos caríssimo por cadeiras e barraca. Não vale. Estenda sua canga e seja feliz!

Ses Illetes. Formentera.

O pôr do sol é atração nestas ilhas. Marcamos um jantar em Cala Conta (ou Comte), que foi muito bom. O tempo estava fechado (ainda bem que só no final deste penúltimo dia) mas não atrapalhou o espetáculo.

Por do sol em Ibiza

No último dia de Ibiza, deixamos para andar de stand up em Cala Vadella (uma praia mais calma, ótima para isso) e depois visitar a cidade histórica (Dalt Vila) e o porto, jantando por lá.

Stand up em Cala Vadella

Era dia do Orgulho Gay e da Flower Power (festa dos anos 70, que acontece todas as quartas na boate Pacha, a mais famosa da ilha, que começou suas atividade quando eu nasci, em 1966. O seu símbolo são duas cerejas, que se vê em todos os cantos, em bolsas, camisetas e bonés). Tudo estava muito colorido e florido. Vale a pena ficar até a noite para ver os bares da orla iluminados. São lindos.

O porto enfeitado para o Orgulho Gay e as cerejas da Pacha e sua festa dos anos 70

Ficamos hospedados em Cala Tarida. Uma praia muito boa. O hotel não era do meu tipo, parecia um clube, não voltaria. Tive dificuldades para encontrar hospedagem bacana e com custo razoável em Ibiza ou Formentera. Mas o local é bom, no sudoeste da ilha, relativamente perto do centro e de Sant Antoni e com certeza na região das mais belas praias.

Em Sant Antoni, fomos jantar um dia no pequenino Yenuino (trocadilho para Genuíno) uma fábrica de massas onde comi um maravilhoso pesto e fomos muito bem tratados. A cidade tem muito mais estrutura, restaurantes e vida noturna que a região de Cala Tarida. Mas a praia que dá pra ir a pé é feiosa.

Barcelona

Fomos para Barcelona de avião, pela Voeling. Ficamos em um hotel bem central, Royal Passeig Gràcia, com um lindo terraço.

Final de tarde no terraço do hotel

Do mesmo modo que Madrid para mim é o Prado, Barcelona é Gaudí. Adoro! O sujeito era muito criativo e ousado para sua época. Acho tudo que ele fez interessante, mas a Sagrada Família é com certeza minha igreja predileta e sua obra prima. Ficamos mais uma vez embevecidos. Já estava muito diferente de 8 anos atrás, inclusive o museu está todo modernizado, vale muito a pena perder um tempo ali.

A Sagrada

Não conseguimos repetir o Parque Guell porque não tínhamos ingressos reservados (reserve). Se for de metrô saiba que tem uma ladeira enorme para escalar até o parque. Fomos à Casa Millà, porque da primeira vez já tínhamos visitado a Blató (que é muito mais bonita por sinal, bom saber se tiver que fazer uma opção). O museu de Picasso de Barcelona é muito legal, especialmente “As meninas”. Adoro ver a bagunça cubista baseada no quadro clássico de Velásquez.

Picasso reeditou “As Meninas” de Velasquez no seu conceito cubista. São mais de 20 interpretações disponíveis no seu museu em Barcelona.

Andamos um dia de ônibus “Hop on Hop off”, que em Barcelona vale muito a pena para entender a cidade e terminamos neste dia nas fontes mágicas de Montjuïc.

Show de Fontes Mágicas em Montjuïc

Barceloneta é uma delicia no verão, muito animada, com muita gente jovem no calçadão e nos bares.

Em Gràcia, pertinho do hotel, descobrimos o El Nacional, um complexo gastronômico escondidinho em uma viela, onde comemos bem. Perto dali fizemos uma aula de culinária, incluindo a famosa paella, que foi muito legal!

Os mercados de La Boqueria e Santa Caterina são bacanas.

Mercado da Boqueira

A catedral de Barcelona é linda e os bairros El Gòtic e El Born são meus lugares prediletos, com mil lojinhas e cantinhos pra descobrir. Também paramos no alto de Montjuïc, mas desta vezes não repetimos o Pueblo Espanhol e nem o Parque Olímpico.

El Born

Fiquei meio grilada com muitos alertas de furtos. A cidade fica cheia de malandros por conta da quantidade de turistas. Melhor estar sempre atento com bolsas e carteiras principalmente. Também tive esta sensação em Londres, onde fomos abordados por um espertinho fantasiado de turista, pedindo informação as 7 horas da matina na frente do hotel. A sorte é que o golpe era ridículo, o sujeito mostrou uma nota de dinheiro libanês e pediu para ver uma nota do nosso país. Bobinho…

Londres

Fiz minhas pazes com Londres! Achei a cidade vibrante, moderna e tradicional ao mesmo tempo, com mil detalhes encantadores. Ficamos no Citzen M, super bem localizado e facílimo de alcançar de metrô (compre o Oister card logo no aeroporto, os atendentes te ajudam a colocar a grana necessária de acordo com seu provável roteiro na cidade). Matamos saudades da cama gigante e de todos os detalhes surpreendentes deste maneiríssimo hotel.

Citizen M Londres

Do roteiro clássico, só repetimos a Saint Paul, que é lindíssima. Adorei ir a Camden Town pelo Regent’s Canal, a partir de Little Venice (que está muito mais para uma little Amsterdam), conhecer Shoreditch e seus lances alternativos e o especial Bourought Market. Desta vez comemos super bem seguindo dicas, inclusive o tal Fish and Chips. Explore os pubs que são lindos!

Chegando a Camden pelo canal
Figuras em Camden Town
Shoreditch
Pub
Vinho sobre Londres

Ah sim! O show do Metallica foi muito bom e vimos também Bon Jovi no estádio de Wembley, encerrando nossas férias com chaves de ouro.

Show Bon Jovi Londres 2019

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