Da coleção de viagens – Alemanha e Áustria na época do Natal

Detesto viajar no inverno, não gosto do frio, do excesso de roupas, do maior peso da bagagem e principalmente de dias curtos e chuvosos. Mas meu caçula estava estudando em Munique. Já prevendo excesso de saudades, marcamos uma visita um pouco antes do Natal, aproveitando pra passar com ele o seu aniversário, dia 15. Os mercados de Natal são famosos na Alemanha e na Áustria e não nos decepcionaram. As cidades ficam lindas, iluminadas, e as barraquinhas das feiras são pequenas casinhas de madeira lindamente enfeitadas. Finalmente achei que o inverno foi compensado.

Munique no Natal

Munique é uma cidade aconchegante, com prédios antigos coloridos e muitas bonitas cúpulas de igrejas, sempre com relógios. A Marienplatz, a principal praça, já é um lugar muito especial, mas fica ainda mais deslumbrante com uma gigante árvore natalina. O principal relógio, que tem bonequinhos que se movem de tempos em tempos, fica nesta praça. Muitas vitrines de lojas estavam lindas também, as crianças devem amar!

Marienplatz em dezembro
Vitrines em movimento.

Outro lugar imperdível é o Englischer Garten. Mesmo no inverno, se não estiver chovendo, há muito movimento por ali. Riachos cortam o parque e em pequenas corredeiras os surfistas, totalmente protegidos do frio por longas roupas de neoprene, aproveitam as ondas. Super estranho para nós e divertido de ver.

Englischer Garten e o surf da Bavária

As cervejas, é claro, são maravilhosas. Destaque para uma que não conhecíamos chamada Augustine. Comemos também muito bem no restaurante do mesmo nome e no Donisl. Só não gostei muito do Apfelstrudal, de nenhum lugar. É servido em um prato de sopa e fica sobre um banho de leite temperado morno. Guardada as devidas diferenças, a sensação é a mesma de comer sucrilhos (que é crocante) amolecido com leite.

Outro lugar famoso e que precisa constar no roteiro gastronômico é o Hofbräuhaus. No entanto, apesar de histórico, típico e animado, talvez para alguns seja muito barulhento. A comida também não é boa e o serviço não é elogiável. Vale o chopp gigante. Melhor ir só para beber e pelo visual, sem muita expectativa como restaurante.

Hofbräuhaus, a lojinha do restaurante tem muitos presentes interessantes.

Ainda em relação as comidas e bebidas típicas, amei o Gluhwein, que como disse o Ricardo Freire, é a única palavra em alemão que precisamos decorar. É um vinho quente temperado com canela e laranja e toque de anis, tipo um quentão. Você compra também a canequinha que vai usar, quase sempre fofa e decorada. Se quiser devolve depois de beber e pega seu dinheiro de volta. Eu fiquei com todas.

Gluhwein nas típicas canequinhas. O de Munique foi o melhor que bebi.

De Munique fizemos dois bate-voltas. Para Füssen, para ver o castelo de Neuschwanstein e para Rothenburg ob der Tauber, uma fofíssima cidade na rota romântica. Para o primeiro nos viramos de trem, comprando o Bayern Ticket para um dia, para a galera toda (estávamos em 6). Foi bem fácil comprar e chegar. O outro, bem mais distante (quase 3 horas de viagem se fôssemos direto), fizemos de ônibus, com passeio guiado, comprado no GetYourGuide.

Neuschwanstein é realmente inspirador e um dos castelos mais lindos que já vi. Fica no alto de uma montanha cercada por cadeias de montanhas mais altas que em dezembro estavam nevadas. Na frente, uma planície com um lago transparente completa a paisagem. Dá pra entender totalmente porque Ludwig escolheu aquele lugar. Tiramos belíssimas fotos.

Neuschwanstein.

Em relação ao segundo bate-volta, não tivemos sorte na rota romântica, estava chovendo muito por lá e isso estragou bastante nosso dia. Uma pena, pois a cidade é mesmo um conto de fadas. Vale a pena tentar programar para um dia com bom tempo.

Loja de Natal em Rothenburg, aberta o ano todo.

Depois de Munique arrumamos as malas e seguimos para Áustria de trem. Primeira parada: Innsbruck. Linda, linda, linda. Cercada de montanhas nevadas, construções belíssimas, clima de cidade do interior. O espirito de Natal com certeza deu um toque especial.

Innsbruck iluminada em dezembro.
Clima mágico do Natal.
Innsbruck cercada por suas montanhas. Uma fofura.

No primeiro dia conhecemos a cidade e entramos em um monte de lojinhas. No segundo fomos na estação de sky de Nordkette e na fábrica da Swarovski. Usamos o Innsbruck Card que vale a pena se você for pagar duas ou mais atrações. Não tivemos temos para usar as outras atrações e as 3 horas de bike inclusas, mas acho que no verão deve ser um programa bem legal!

A estação de sky é bacana e matamos saudades da neve. Eu nunca mais quero esquiar na vida, pois na minha primeira e única experiência tive sensação de “risco de morte eminente”. Acho que sou atolada demais. Os meninos adoram, mas também não tiveram disposição desta vez, embora seja super possível. Além desta estação a cidade tem mais oito!

Vinhozinho curtindo a neve.
Linda paisagem.
Tem brinquedos “free” para usar nas pequenas descidas do primeiro nível.

A Swarovski me decepcionou porque eu estava mal informada. Achei que veria o processo de lapidação do cristal. Na verdade é um museu que expõe algumas obras famosas feitas com cristal Swarovski (jaqueta de fulano, colar de sicrana) e tem uma pegada de arte moderna. A loja local tem preços iguais aos de qualquer filial ou franquia (também tinha a ilusão que seria mais batato). Mas não deixa de ser bonito e sedutor. E, é claro, mesmo sem descontos, comprei um colarzinho lindo de olho grego.

Museu Swarovski
Museu Swarovski

De Innsbruck até Salzburg também fomos de trem. Salzburg vale uma tarde (especialmente no centro histórico) e um dia para ir até Hallstatt. Ponto para o nosso roteiro.

Salzburg
Salzburg, passeio por perto da fortaleza.

Indo por conta própria Hallstatt é longe. Precisa usar ônibus, trem e barco em uma trip que não dura menos que 3 horas. Por isso fomos de novo de passeio organizado para um percurso em 1:20 com 2:50 para ver a cidade. Foi perfeito, só não dá tempo pra também subir no funicular e ver a paisagem do alto.

Coisa linda de cidade!
Hallstatt

Esta microcidade já fazia parte da minha lista de “lugares para ir antes de morrer”. E era exatamente o que eu imaginava. Mas as fotos não fazem jus a fofura local. Descobri também outras coisas intrigantes: existe uma cópia da cidade na China, existe uma cápsula com a história da humanidade guardada na cidade e o cemitério local é o mais lindo que já vi. Túmulos nada, nada deprimentes…homenagens lindas.

Cemitério lindo, pode?!
Hallstatt no Natal 2019
Fofura em Hallstatt

De Salzburg voltamos para Munique usando de novo o Bayern Ticket, pois mesmo Salzburg não sendo Baviera o ticket vale até lá e fica muito mais em conta para grupos. Passamos o último dia fazendo comprinhas de Natal. Alma renovada e feliz! Saudades aplacadas temporariamente.

Jantarzinho de aniversário do filhote no apê de Munique alugado pelo booking.com

Observação necessária: os alemães e austríacos não são simpáticos. Não mesmo. Não espere sorrisos ou que façam questão que você frequente seu restaurante ou sua loja. A primeira resposta deles é sempre não, a cara fechada e o pouco caso são comuns e mesmo quando estão errados só pedem desculpas, nenhum afago, nenhum acolhimento, somente objetividade. É meio chocante para nós latinos. O recado é: não liguem para isso. Não há nada de particular contra vc. Be happy!