Da coleção de viagens – São Miguel dos Milagres em tempos de COVID

Muito, muito cansaço, foi o motivador desta viagem. O viajenaviagem trouxe a resposta para onde ir. Excelente lista atualizada dos locais mais turísticos no Brasil, o que está aberto ou não, e, especialmente, o número de casos de COVID na região. Meu marido já era imune, o risco era só meu. Alagoas estava com número de casos baixando. Alguns amigos e conhecidos já tinham aprovado a rota ecológica e lá fomos nós, em uma jornadinha de 5 noites na Pousada do Toque, dica também do Ricardo Freire e da minha English Teacher, a Ana (também doida por viagens). Reservamos o transfer com a pousada para “no stress at all” no feriado de 7 de setembro e deu tudo certo.

São Miguel fica há cerca de 1 hora e meia do aeroporto de Maceió. Área muito rural. No sábado, quando chegamos, estavam todos moradores nas cadeiras de praia em frente das casas, jogando conversa fora e apreciando os passageiros.

Rota Ecológica, Alagoas. Uma roça diferente.

As casas são muito simples, mas há bastante presença da iniciativa pública, com escolas e postos de saúde arrumadinhos. Paramos em duas blitz sanitárias. O motorista nos confirma que, em relação ao vírus, as coisas estão calmas mesmo por aqui. Penso que, pela displicência dos carros estacionados em uma única rua de mão dupla asfaltada e nenhuma buzina e impaciência deste nosso motorista, a calmaria deve ser o “default” da região.

O lugar tem um milhão de pousadas, mas fiquei seduzida pela etiqueta do Roteiro de Charme. A Pousada do Toque atendeu as expectativas. Nada semelhante a um resort, muito intimista e rústica. Aprimoraria os entretenimentos com mais disponibilidade de bikes, stand up e raquetes de frescobol decentes, mas nada conseguiu comprometer as maravilhas da natureza.

Pousada do Toque

Por falar em entretenimento para mim a experiência de andar de bicicleta na praia foi única. Não imaginava na maré baixa passar também sobre o mar, de um banco de areia para o outro, foi mágico e inesquecível.

Bike na praia. Inesquecível.

A vibe da pousada é ótima. O serviço tem um diferencial difícil de aculturar, quem trabalha com serviços vai entender bem. O cliente tem sempre razão e tudo pode ser melhorado, refeito, revisto. Não acertam sempre, mas qualquer queixa é levada muito a sério e com uma alegria e gentilezas difíceis de replicar.

E o mar…ah o mar…

Muda de cor ao longo do dia e conforme a incidência do sol e profundidade da maré. Tons de verde transparente entremeados por um súbito azul marinho. E aquela água quentinha, sem susto.

Nossa proposta era mesmo sombra e água fresca, além de longas caminhadas na praia. Portanto, só saímos da pousada para ir ver a associação do peixe-boi, quando aproveitamos para conhecer mais duas praias distantes (Lages e Patacho) e para ir de jangada nas piscinas naturais dos recifes ali perto. Mas há restaurantes famosos na região e muitas praias ao longo de toda rota.

Praia da Lage. Sonho do Patacho.

A comida é muito boa na pousada, dentro do nosso espírito de preguiça programada reservamos o chalé com direito ao prato principal no jantar e não nos arrependemos. Destaque para o polvo com rosti de macaxeira e a sobremesa de cocada de forno com sorvete de tapioca. De comer de joelhos. Tomamos também lá a melhor batida de côco das nossas vidas. Água de côco natural, assim como a polpa rapada. Uma verdadeira sobremesa alcoólica. Pra reservar uma mesa no jardim pedíamos ao impagável JR, garçom há 17 anos no mesmo local, a gentileza em pessoa e vascaíno de coração. Foi fácil nos conquistar.

Nossa experiência com o peixe-boi foi muito mais emocionante nas piscinas, porque encontramos com o Aramis por lá. Sim, eles têm nomes e costumes. Este, soubemos depois, era macho e passeava eventualmente por ali. Demos sorte! Abraçava as jangadas pra se alimentar de algas que se grudam na embarcação. E não estava nem um pouco preocupados com os banhistas em volta.

Aramis

Bicho fofo, enorme e vegetariano, cujo único predador é o homem. Hoje menos ameaçados, graças à iniciativas como a desta associação de moradores, que cuidam e readaptam os grandalhões feridos. Alguns, como o Raimundo, nunca puderam ser reabilitados, e vivem em cercados no mangue. Outros vão e voltam do mar para o mangue, pois precisam beber água doce, como nós.

Mangue onde fica a associação de proteção ao peixe-boi. Cuidam dos que não puderam ser reabilitados. Reabilitam a maioria. São moradores locais. Muito bacana!

Todas as praias são parecidas e se transformam com a maré. Com ela baixa ficam mais bonitas. Não faltam coqueiros, redes e ventinho agradável. Para ficar e descansar. Agradecer a Deus e a natureza. Refazer o humor, melhorar a energia.

Ahhh e nos disseram que muita gente casa por ali, que tem uma igreja cujo altar é a vista do mar e o chão é de areia. É particular e não abre pra visitação. Mas linda ideia, não?! Voltei pensando em convencer minha irmã a se casar por lá. Pois já penso em voltar. Destino pra repetir.

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